05 abril 2010

Atividades por todo o Brasil

Brasília
Blitz do Autismo celebra em Brasília, 3ª Edição do Dia Internacional do Autismo

Data: 07abril2010

Hora: 10h

Local: Posto da Polícia Rodoviária Federal, BR-040, km zero (próx. Santa Maria-DF).

Obs: Entrega de Panfletos e explicações sobre o Autismo.

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Câmara dos Deputados celebra em Brasília, 3ª Edição do Dia Internacional do Autismo

Uma parceria entre a Organização Não-Governamental (ONG) Movimento Orgulho Autista Brasil (MOAB), a Associação dos Amigos dos Autistas (AMA-DF), CLIAMA, Coordenadoria para Inclusão da Pessoa com Deficiência do Distrito Federal (CORDE/DF) e a Subsecretaria de Cidadania (SEJUS/GDF), com o apoio da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados, realizará ato comemorativo alusivo ao Dia Internacional do Autismo, dia 02 de abril. A data, que há três anos foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), excepcionalmente, em 2010, por coincidir com a sexta-feira da paixão, será celebrada no dia 08 de abril, plenário 11, anexo II da Câmara dos Deputados, em Brasília.
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Rio de Janeiro
Palestras gratuitas dia 6 de Abril RJ
Em homenagem ao dia e mês de Conscientização Mundial do Autismo, haverá uma série de palestras no RJ, nesta 3ª feira próxima com entrada franca!!

Não deixe de comparecer!Informação é o que vc pode ter de melhor para lutar!

DIA 06 DE ABRIL DE 2010PALESTRAS CIENTÍFICAS

Local: Auditório da Defensoria Pública no Rio de JaneiroEnd.: Avenida Marechal Câmara, 314 – Centro – RJ ( a partir das 13:30hs )
Temas:
•Diagnóstico precoce – Doutoranda Mariana Garcia (pesquisa da Drª Carolina Lampreia)
•Neurotoxidade dos metais pesados no autista – Mariel Mendes – Biomédica
•Terapia comportamental – Sandra Cerqueira – Psicóloga
•Trabalho realizado pelo CEMA- Rio – Drª Eliana Silva
•Terapias da Mão Amiga - Mônica Accioly – Fonoaudióloga e Coordenadora técnica da Associação Mão Amiga-- Autismo: - Aceitação sim, CONFORMISMO não!!!!!!!!
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CONVITE

A APADEM (Associação de Pais e Amigos do Deficiente Mental/ com foco no Autismo) tem o prazer de convidá-los a para a:
PALESTRA: “Os Direitos das Pessoas Com Necessidades Especiais (Deficiência Mental) e o Papel do Ministério Público na Defesa das Pessoas Com Deficiência”
Dia: 14 de Abril de 2010
Às 19:00
Local: Cúria Diocesana – Rua 25 b – 44 Vila Santa Cecília Volta Redonda (RJ) Telefone : ( 24 ) 3340-2801

Palestrantes: Promotores de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro

ENTRADA FRANCA

Realização: APADEM
Apoio: Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro
Informações: apademvr@gmail.com
Tel: 24- 3337 3683

ONU pede conscientização e inclusão


O Brasil não tem estatística sobre o autismo, mas nos Estados Unidos e Europa já se fala sobre a maior epidemia do mundo, saltando de um caso a cada 2.500 pessoas na década de 1990, para o número assustador atual de uma pessoa com autismo a cada 120. Estimou-se em 2007 que no Brasil, país com uma população de cerca de 190 milhões de pessoas naquele ano, havia cerca de 1 milhão de casos de autismo, segundo o Projeto Autismo, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo. No mundo, há mais de 35 milhões de pessoas com autismo, afetando a maneira como esses indivíduos se comunicam e interagem.A fim de alertar o planeta para essa tão séria questão, a ONU (Organização das Nações Unidas) criou em 2008 o Dia Mundial da Conscientização do Autismo (World Autism Awareness Day), no dia 2 de abril de cada ano. Para 2010, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, destacou a importância da inclusão social. “Lembremo-nos que cada um de nós pode assumir essa responsabilidade.
Vamos nos unir às pessoas com autismo e suas família para uma maior sensibilização e compreensão”, disse ele na mensagem deste ano, mencionando ainda a complexidade do autismo, que precisa de muita pesquisa. Vários monumentos e grandes construções ao redor do mundo se propuseram a iluminar-se de azul como manifestação em favor dessa conscientização no dia 2, como o prédio Empire State, em Nova York, nos Estados Unidos.No Brasil, é preciso alertar, sobretudo, as autoridades e governantes para a criação de políticas de saúde pública para o tratamento e diagnóstico do autismo, além de apoiar e subsidiar pesquisas na área. Somente o diagnóstico precoce, e consequentemente iniciar uma intervenção precoce, pode oferecer mais qualidade de vida às pessoas com autismo, para a seguir iniciarmos estatísticas na área para termos idéia da dimensão dessa realidade no Brasil. E mudá-la.
O autismo faz parte de um grupo de desordens do cérebro chamado de Transtorno Invasivo do Desenvolvimento (TID) – também conhecido como Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD). Para muitos, o autismo remete à imagem dos casos mais graves, mas há vários níveis dentro do espectro autista. Nos limites dessa variação, há desde casos com sérios comprometimentos do cérebro a raros casos com diversas habilidades mentais, com a Síndrome de Asperger (um tipo leve de autismo) – atribuído inclusive a aos gênios Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Mozart e Einstein.A medicina e a ciência de um modo geral sabem muito pouco sobre o autismo, descrito pela primeira vez em 1943 e somente 1993 incluído na Classificação Internacional de Doenças (CID 10) da Organização Mundial da Saúde como um transtorno invasivo do desenvolvimento. Muitas pesquisas ao redor do mundo tentam descobrir causas, intervenções mais eficazes e a tão esperada cura.
Atualmente diversos tratamentos podem tornar a qualidade de vida da pessoa com autismo sensivelmente melhor.Para este ano haverá, entre outros eventos promovidos pela ONU, o lançamento do documentário "A Mother’s Courage: Talking Back to Autism” (Coragem de mãe: falando sobre o autismo, em tradução livre), narrado pela premiada atriz Kate Winslet (de Titanic). O filme fala sobre uma mãe islandesa que viaja para os Estados Unidos em busca de novas terapias para o filho que é autista.Além do dia 2, o mês de abril é considerado o mês da conscientização do autismo no mundo.

26 março 2010

Mãe e filho lançam hoje seus livros escritos com dor e esperança

Ele, portador da síndrome de Asperger, venceu os próprios medos, o preconceito de uma sociedade despreparada e mergulhou na literatura. Ela, poetisa de nascença, lutou desesperadamente por ele e retratou a vida com a delicadeza de quem renasce.

Aos 6 anos, Gabriel Marinho desenhava aviões. A professora chamou a mãe e lhe disse: “Seu filho só pensa nisso”. Aos 9, interessou-se por futebol. Inventava, criando desenhos, times, uniformes e campeonatos. Aos 10, ele sentiu medo. Ao ouvir um trovão, se escondia debaixo da cama. Uma tia psicóloga, irmã da mãe do menino, chamou-a e disse: “Esse medo não é normal. Procure um especialista”. A mãe não percebeu nada de errado. Aos 13 anos, uma tristeza sem razão invadiu a alma do adolescente. Isolou-se dos amigos e da família. A psicóloga da escola chamou a mãe. E lhe avisou, com compaixão: “Não é manha nem capricho do seu filho. Ele tá pedindo socorro”.

Começava a romaria dos pais a consultórios de psicólogos e psiquiatras. E, tempos depois, o laudo que mudaria para sempre a vida daquela família. Ele tinha síndrome de Asperger, um tipo de autismo menos comprometedor (leia Para saber mais). A poeta e servidora pública alagoana Isolda Marinho nunca tinha ouvido falar daquilo. Nem o pai, o contador carioca Geraldo de Souza.

Gabriel entrou numa depressão arrasadora. Escondeu-se do mundo que não o compreendia. Passou dois meses sem ir à escola. Na internet, ainda transtornada, Isolda procurava entender o que era a tal síndrome. Descobriu grupos de discussões virtuais, pais com os mesmos problemas. Entendeu que podia haver uma saída. O filho passou a fazer terapia e a tomar medicação específica. Isolda jurou a si mesma que o traria de volta ao mundo que era dele. Chorou noites insones. Embrenhou-se em pesquisas. Enfrentou a desinformação de alguns médicos e o preconceito de uma sociedade ainda despreparada para aceitar o que não é igual. Foi — é — uma longa caminhada.

Ele passou a ler, para se sentir vivo e parte de alguma coisa. E mergulhou no mundo de George Orwell, Truman Capote, Gabriel García Márquez, Isabel Allende e Machado de Assis. Espiou também a dor de Clarice Lispector. Aos 17 anos, o adolescente passou no vestibular para jornalismo no UniCeub. E escreveu, para justificar sua própria existência, no mundo que criara para si. Escrevia noites adentro. Trocou a noite pelo dia. Viajou em si mesmo. Deu vida real a personagens de ficção. Frequentou o Núcleo de Literatura do Espaço Cultural da Câmara dos Deputados, onde desenvolveu oficinas gratuitas de textos que o incentivaram a não parar.

Aos 19 anos, publicou o primeiro livro: O mundo depois do fim — misto de ficção científica e romance psicológico, em que aborda temas como amizade, moral e ética. A obra, com 188 páginas, foi aprovada pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC), da Secretaria de Cultura do GDF. Virou sucesso de crítica. Despertou até o interesse de um cineasta e de um agente literário de São Paulo. Como contrapartida ao apoio do FAC, depois do lançamento, o autor esteve, no ano passado, em várias escolas públicas falando da sua obra e de literatura.

Tristezas e belezas
Aos 20 anos, completados nesta sexta, Gabriel lança hoje seu segundo livro: Breve sonho de esperança, romance com 312 páginas, também aprovado pelo FAC. “É a história de uma guerra, entre dois países fictícios. Os personagens principais são um piloto de caça e sua companheira, que tem transtorno bipolar. Num outro extremo, vive uma estudante de jornalismo e sua mãe alcoólatra”, explica. E diz, com o olhar longe da sala da sua casa, na 207 Sul: “Dediquei esse livro a todo mundo que se sente incompreendido”.

Na orelha do livro, a escritora Cinthia Kriemler, que apresenta a obra, escreveu: “O romance exprime a familiaridade com a dor do outro... Gabriel fala de gente que dá certo, mesmo quando em volta é um caos. Há de todas as tristezas e belezas no texto deste escritor que nos brinda encontros e trocas... Nada está em excesso, nada força posições, tendências, credos ou vivências. Tudo flui. Como a vida. Gabriel é um homem perceptivo. Um escritor fervilhante, um perscrutador de almas”.

Na tarde de quarta-feira, com o livro que lança hoje em mãos, Gabriel disse ao Correio: “Escrevo porque gosto e preciso. É a única coisa que presto para fazer”. E disse mais: “É a melhor maneira, a mais direta, pra mostrar ao mundo que existo”. O terceiro e quarto livros estão prontinhos, à espera de publicação. Em Pecado e santidade, cuja ação se passa em Brasília, o escritor narra a vida de um homem que comete um assassinato, fica11 anos encarcerado e volta ao mundo.

E a quarta obra? O escritor prefere não adiantar mais detalhes, mas diz que fala da vida de uma musicista. A história, contada em primeira pessoa, mergulha na emoção feminina. Pergunto como ele consegue entender tal universo. “Eu vejo e escuto demais. Todo protagonista tem um pouco de mim e de todo mundo”, responde. Gabriel não para de criar e se reinventar. Deixou a faculdade de jornalismo no segundo semestre. Agora, estuda cinema no Iesb. Quer compreender melhor a sétima arte. Mas não pensa em abandonar a escrita. “Quero chegar ao ponto de me salvar com a literatura”, ele diz, com maturidade que impressiona para um garoto de 20 anos.

Casa de escritores
Hoje, além do livro de Gabriel, a mãe dele, Isolda, lança o seu Beijo de tangerina. “É quase um livro de bolso”, conta a poeta. A obra, cujo projeto foi aprovado pelo FAC, passeia pela delicadeza da mulher que fez da vida sua melhor poesia. “Comecei a escrever aos 14 anos, mas não mostrava pra ninguém”, conta ela, que completou ontem 49 anos e se deu de presente a própria obra, mais uma. Escreveu até se embriagar de palavras. Povoou cadernos, de punho próprio, com emoção e percepções muito particulares. Formou-se em letras na UnB.

Ensinou português e literatura para alunos da rede pública. Contou-lhes que a palavra sempre pode salvar. Em 1993, foi aprovada no concurso da Câmara Federal. Está lotada no Núcleo de Divulgação do Centro de Formação e Treinamento (Cefor). Em 2000, lançou seu primeiro livro: Sementes de amora. Em 2004, o segundo: Viço do verso. Todos esgotados.

Ao mesmo tempo que escrevia coisas como “são quietos os domingos dentro de mim. Tem ar de sopro morno, jeito de presença longe, cheiro de qualquer prazer. São dias de preguiça boba e moleza descuidada. Contém gritinhos contidos em diversos versos. Saliva de ontem de beijo disperso”, precisava entender a autossolidão que o filho se impunha. Era necessário mergulhar no mundo de dor e silêncio dele. Ele venceu. Ela venceu. Ambos venceram. A luta é constante.

Hoje, mãe e filho lançam juntos suas obras. Mais que isso. Lançam palavras transformadas em vidas. Gabriel escreve para se sentir vivo e se salvar. Isolda, para se encantar e se achar nela mesma. Ele inventa personagens, países e histórias. Inventa vidas de mentira iguais às vidas de verdade. Tem pouco e muito dele em cada obra. Comove com sua narrativa plausível. Ela brinca com as palavras. Seduz e emociona. “Procurei por toda parte, embaixo da cama, nas gavetas, na geladeira, na prateleira da estante... na mancha de batom da maquiagem desfeita, na dobra do papel inquisidor, no apartamento ao lado, nas entrelinhas do bilhete ao lado... procurei... não encontrei a mim mesma. Onde estava eu?”

Páginas da vida

 - (Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
Os dois livros serão lançados hoje, às 20h, para um pequeno grupo de amigos. A partir de amanhã, quem quiser comprar um exemplar pode ligar ou mandar e-mail para Isolda: 8153-8707 (isoldamarinho61@gmail.com) ou Gabriel: 8111-7622 (gabriel2112@yahoo.com.br). Beijo de tangerina: R$ 20. Breve sonho de esperança: R$ 30.

Trechos

Beijo de tangerina
# Isolda Marinho

Retina descolada
De tanto ver o que não podia
minha retina ficou fina
De tanto observar que não devia
minha retina ficou fina
De tanto ouvir o que a intuição dizia
minha retina ficou fina
De tanto não viver o que era poesia
ficou fina minha retina
E de tanto ficar fina
foi saindo do meu olho
despedindo-se da sina
de sorver desse tal molho
fazer mil versos sem rima
letras tolas de menina
pingo suco tangerina


Breve sonho de esperança
# Gabriel Marinho

Os segundos transformaram-se em minutos; os minutos completaram uma hora e a sucessão de horas em claro expulsou-me da cama. Nada de sonhos, por enquanto. Debrucei-me na janela, passando a observar o azul-escuro do céu contornado por constelações e esperando que o olhar fixo naquela imagem me trouxesse o sono de volta. Roncos longínquos de escapamentos chamaram-me a atenção. Era sexta-feira. Vi uma intensa claridade proporcionada pelos faróis dos carros e tonéis transformados em fogueiras. Fui, mais uma vez, plateia cativa de um espetáculo nocivo. Presenciei cavalos-de-pau e corridas valendo dinheiro, até a aparição não programada da polícia, cortando a excitação da garotada, que fugiu desenfreadamente. Diverti-me com aquilo e o sono veio quando menos esperava, atingindo-me com a mesma intensidade de um tranquilizante para animais.

» Para saber mais sobre Autismo de alta funcionalidade

A síndrome de Asperger (SA), transtorno de Asperger ou desordem de Asperger é uma síndrome de espectro autista, diferenciando-se do autismo clássico por não comportar nenhum atraso ou retardo global no desenvolvimento cognitivo ou da linguagem do indivíduo. Alguns cientistas a classificam como “autismo de alta funcionalidade”. É mais comum no sexo masculino. Há indivíduos com Asperger que se tornaram professores universitários — como Vernon Smith, Prêmio Nobel de Economia em 2002. O termo “síndrome de Asperger” foi utilizado pela primeira vez por Lorna Wing, em 1981, num jornal médico, que pretendia, desta forma, homenagear Hans Asperger, psiquiatra e pediatra austríaco cujo trabalho não foi reconhecido internacionalmente até a década de 1990.

A síndrome foi reconhecida pela primeira vez no Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais, na sua quarta edição, em 1994. Alguns sintomas são: atraso na fala, mas com desenvolvimento fluente da linguagem verbal antes do cinco anos; interesses restritos (a pessoa escolhe um assunto de interesse, que pode ser seu único desejo por muito tempo, e a atenção ao assunto escolhido existe em detrimento de assuntos sociais ou cotidianos); memorização de grandes sequências, como mapas de cidades ou cálculos matemáticos complexos; falta de autocensura (eles costumam falar tudo o que pensam); e sensibilidade exacerbada a determinados ruídos.

Grandes personalidades da história possuíam fortes traços da SA, como os físicos Isaac Newton e Albert Einstein, o compositor Mozart, os filósofos Sócrates e Wittgensteine e o pintor Michelangelo.

Reportagem do Correio Braziliense

Parabéns à querida amiga Isolda, mãe exemplar, dedicada, tive o prazer de conhecê-la pessoalmente e o seu filho Gabriel, que como o meu é asperger.Paz e muitas alegrias querida neste dia de emoções.Um carinho todo especial de nossa família para a sua.

Ana

DIA MUNDIAL DA CONSCIENTIZAÇÃO DO AUTISMO


Estão surgindo e repassando a campanha no resto do mundo para que todas as pessoas possam acender uma luz azul em suas casas.Outros prédios por todo o país e o resto do mundo estará acendendo luzes azuis.


Coisas que vc pode fazer para ajudar na conscientização do autismo:

1 - Usar o pin azul com o desenho de uma peça de quebra cabeça durante todo o mês de abril e qdo as pessoas perguntarem vc, vc pode falar sobre o autismo e o pq vc esta vestindo.

2- Mudar as fotos do orkut e perfil no twitter ou facebook com a peça azul do quebra ou com o logo da campanha light it up: Blue e repassar para 10 amigos.

3- Digitar todos os seus emails em AZUL e colocar o logo Light It Up Blue na assinatura durante todo o mês de Abril.

4- No dia 2 de Abril vestir uma peça de roupa azul, camiseta ou calça e pedir pra seus amigos, familiares ou colegas de trabalho pra vestir tbm e tirar fotos e repassá-las, pra gente aqui no grupo tbm !! Se possiível colocá-las nas galerias do Flickr,orkut,twitter,facebook.

5- Cozinhar um bolo com o desenho da peça de quebra-cabeça Azul, preferencia todo em azul e levar pra escola, pro trabalho e dividir com seus amigos explicando o pq.

6- Igrejas, Congregações, avisar aos responsáveis para que falem do dia em seus Cultos, Missas e Celebrações, etc.

18 março 2010

Desenho animado ajuda crianças autistas

O Centro de Pesquisa em Autismo da Universidade de Cambridge, Inglaterra, acaba de desenvolver um desenho animado voltado para crianças autistas entre 4 e 8 anos, com o objetivo de ajudá-las a identificar as expressões faciais humanas e os estados de emoção. O desenho chamado "The Transporters", narrado pelo ator Sthepen Fry, é dividido em episódios de 15 minutos e foca em emoções diferentes, como felicidade, tristeza e até inveja. Os protagonistas são trenzinhos animados.

"Crianças autistas adoram assistir filmes de carros e outros veículos cujo comportamento, definido por leis fixas, é previsível. Dessa forma, elas evitam olhar nos rostos das pessoas, cujas expressões imprevisíveis podem confundi-las. Tivemos a idéia de incorporar faces em veículos para ensiná-las a lidar com as emoções", disse o professor do Centro, Simon Baren-Cohen.

Depois de assistirem o DVD por quatro semanas, crianças com níveis altos de autismo foram capazes de compreender e descrever as emoções humanas tão bem como as outras. "Depois de um mês assistindo ao desenho, meu filho começou a não só perguntar às pessoas se elas estavam felizes, mas a chamar a minha atenção para pessoas que pareciam estar tristes, coisa que ele nunca fez antes", disse Carol Scibor, mãe de umas das crianças que fizeram parte dos testes.

Baren-Cohen atenta para o fato de que o desenho está longe de ser uma cura milagrosa para o autismo, mas garantiu que têm grandes benefícios educacionais. O DVD será distribuído de graça para 30.000 famílias no Reino Unido. O autismo afeta 1% da população, 80% dos quais são homens.


Veja mais no site http://www.transporters.tv/


A Coordenadoria para Inclusão da Pessoa com Deficiência do Distrito Federal - CORDE / DF,vinculada à Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do Distrito Federal, atua no sentido de assegurar à pessoa com deficiência o pleno exercício de seus direitos e sua efetiva inclusão na vida social.Venho por meio desta, divulgar o evento que será realizado domingo dia 21/03/2010, no parque da cidade. Na oportunidade, vamos comemorar o Dia Internacional da Síndrome de Down, com uma caminhada na pista interna, junto à administração do parque, com a participação das entidades AMPARE, DF DOWN, Associação das Mães em Movimento, AMEM, Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, entre outras.

A caminhada tem como objetivo reivindicar melhorias no ambulatório já existente na Asa Norte, que atende pais e crianças com Síndrome de Down, gente mais capacitada nos serviços públicos, tais como saúde, educação, assistência social, segurança, etc.

Todo ano é realizado o evento no local, assim como no ano passado, em 2009, quando, o então Governador Arruda compareceu e recebeu um documento contendo as reivindicações do segmento.

Atenciosamente,


Fernando Cotta

Mais informações: 61 99098192 (Fernando Cotta)

09 março 2010

Autismo faz o trânsito parar

No Brasil, a cada 500 nascimentos, uma criança é autista

Sulamita Rosa

Ontem, foi realizada mais uma Blitz do Autista, no Posto da Polícia Rodoviária da BR-040. O evento foi uma iniciativa do Movimento Orgulho Autista do Brasil (MOAB) e da Associação dos Amigos dos Autistas (AMA-DF) em parceria com a Coordenadoria para Inclusão da Pessoa com Deficiência do Distrito Federal (Corde-DF). A Polícia Rodoviária Federal (PRF) deu apoio ao evento. Os organizadores do movimento aproveitaram a comemoração do dia da mulher para direcionar atenção às mulheres autistas.
Para chamar atenção da população brasiliense e do governo sobre a síndrome, os voluntários distribuíram mil panfletos informativos a respeito do autismo aos motoristas que passavam pela BR e eram parados pela PRF. As mulheres também receberam uma rosa vermelha. “Se mil panfletos desses forem os responsáveis pela identificação de uma pessoa que sofre da síndrome, já é um avanço”, declarou a diretora de eventos da MOAB, Maria Lúcia Ferreira Gonçalves, conhecida por Mara.
O autismo é uma doença conhecida pela disfunção global de desenvolvimento e pode ser desenvolvida na infância em qualquer pessoa. O material distribuído explicava os sintomas e características que uma criança pode desenvolver se for portadora da síndrome. A principal delas é a dificuldade de se relacionar desde o inicio da vida, como por exemplo, não olhar nos olhos de outras pessoas.As crianças autistas também apresentam dificuldades em aprender a linguagem, apego inadequado a objetos, crises de choro e extrema angústia sem razão, ausência de medo a perigos reais.
Mara declara que o investimento com políticas públicas para os autistas não é importante apenas para o portador e sua família, mas, também para o governo. “Se o governo não investe hoje no desenvolvimento dessas pessoas, fica muito mais caro no futuro, porque essas pessoas passam a depender dos outros a vida toda”, declara. “O tratamento desde a infância torna o autista um adulto produtivo e independente”, revela.
A intenção da distribuição de panfletos é, além de chamar a atenção, trazer o conhecimento da doença à sociedade. Segundo Fernando Cotta, presidente da Corde-DF, não existe exame que diagnostica o autismo. “Não existe um exame que detecta a doença. O autismo é descoberto por meio da observação do comportamento da criança. Se ela tiver seis das características informadas ela pode ser autista”, revelou.
Foi o caso do filho de Fernando. Ele e a esposa descobriram a doença no filho, que tinha na época com apenas três anos de idade, por meio da observação. “Ele começou a apresentar pouco desenvolvimento, não falava na hora certa, fazia brincadeiras estranhas, não sabia dizer o que queria, então fomos procurar atendimento médico por que sabíamos que tinha algo errado”, contou.
Segundo ele, o mais difícil foi diagnosticar a doença. “Procuramos vários médicos e pediatras e nenhum tinha conhecimento do que estava acontecendo. Foi no sexto atendimento que fomos encaminhados para um neurologista e descobrimos que ele era autista”, revela.
Atualmente, com apenas oito meses de idade, já é possível descobrir a doença. O tratamento é feito com terapias como ecoterapia, hidroterapia e terapias ocupacionais, além do tratamento especial à criança. Mas, segundo Cotta, os autistas ainda sofrem com a discriminação e com o descaso do governo e da sociedade “A cada 500 nascimentos no Brasil, uma criança é autista. É um número muito grande. A criança autista precisa de tratamento específico para se desenvolver”.
O movimento já foi premiado com o 2° Prêmio Orgulho Autista em 2006. A Blitz do Autista existe desde 2005.

POLÍTICAS PUBLICAS
Para Nidia Aparecida, presidente da Associação dos Amigos Autistas (AMA-DF) o que mais faltam são políticas públicas, para ampliar o atendimento aos autistas. Ela conta que atualmente a AMA, atende cerca de 22 autistas no DF, mas que o objetivo é fazer da Instituição uma potência. “O objetivo é criar o Projeto Residência que dará um lugar para portadores da doença que não tem onde ficar”, explica. Atualmente, a AMA atende pessoas com o nível mais grave da síndrome, aquelas que não são independentes.

http://www.tribunadobrasil.com.br/site/index.php?p=noticias_ver&id=14339

10 fevereiro 2010

Sheldon é Asperger?

Tenho assistido este seriado há um tempo e venho percebendo as notáveis características de Sheldon, ele exagera nas implicâncias, fala coisas que deixa a pobre da Penny com uma ? bem grande no alto da cabeça, constrange Leonard e tem suas convicções sem demonstrar qualquer pesar se por acaso fizer uma ofensa.Se você puder assistir passa no canal Warner, toda terça às 21:30.Coloquei aqui o que achei sobre o Sheldon e sua suposta síndrome de Asperger, encontrado no site da AMA.

O Sheldon parece ser uma boa representação de um adulto com Síndrome de Asperger, ou uma representação que faz com que você se estremeça? Ainda que a série não forneça rótulos diagnósticos a seus personagens, o repórter da Slate, Paul Collins, identifica Sheldon, um físico teórico interpretado pelo ator Jim Parsons, como um belo e persuasivo retrato de uma pessoa com Síndrome de Asperger:

Sheldon é uma caracterização exagerada pelo seriado, até aí tudo bem, mas de que outra forma se descreve um teórico que insiste em jogar Klingon Boggle e Rock Paper Scissors Lizzard Spock (uma espécie de jóquei pô, mas modificado para incluir não só pedra, papel e tesoura, mas também um lagarto e o personagem Dr. Spock, de Jornada nas Estrelas?) Um prodígio que delineou e realizou um experimento com as escadas de casa para descobrir a variação exata de altura que faz com que seu pai tropece? Que discorre extensiva e precisamente sobre parâmetros para a troca de presentes no Natal? Ou chama engenheiros de “trabalho semi-qualificado”- e que depois fica supreso quando ficam ofendidos?

Autismo: é preciso mudar mentalidades

Pais de crianças autistas pedem mais apoios, mais respostas de actividades extracurriculares ou de tempos livres e campanhas de sensibilização que destruam tabus.

Helena Sabino, assistente social, soube que o filho era autista quando ele tinha 18 meses. "Não percebemos que era autista. Tal coisa nunca nos passou pela cabeça. Notámos alguns retrocessos e alterações no comportamento por volta dos 16 meses", recorda. Os recuos foram comunicados ao pediatra que desconfiou que o bebé pudesse ter perturbação do espectro do autismo (PEA), depois de no exame auditivo não ter sido detectado qualquer problema. Dois meses depois, uma consulta com um pediatra do desenvolvimento viria a confirmar as suspeitas do médico. "Num espaço de um mês, até termos a consulta, pesquisámos tudo sobre o autismo, as características, as terapias, consultámos blogues de outros pais."

O filho de Helena tem agora três anos. Não foi nem é fácil contornar dificuldades. "Deparámo-nos inicialmente com a falta de apoio psicológico aos pais, falta de informação precisa sobre as várias terapias existentes e onde as encontrar, falta de apoio do Estado na comparticipação das mesmas, sendo que são particulares e custeadas integralmente pelos pais. Falta de tempo para o casal, inexistência de um centro, instituição ou organismo que possa tomar conta da criança, para que os pais possam sair e ter tempo para o casal." Seguiram-se as preocupações com a integração do filho na sociedade e sobre o futuro.

Segue no link título

29 janeiro 2010

Síndrome de Asperger e TOC – comorbidade ou unidade?

Comportamentos repetitivos, estereotipias e interesses restritos são alguns dos principais sintomas que compõem o transtorno de Asperger. Todavia, até que ponto é possível diferenciá-los de sintomas obsessivo-compulsivos que preencham critérios para transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)? Muitas vezes, não é possível. Este trabalho relata o caso de um paciente com síndrome de Asperger e TOC. Abordamos até que ponto é realmente importante a distinção de um TOC como comorbidade distinta do Asperger, bem como nossa conduta terapêutica, na qual um inibidor seletivo da recaptura de serotonina (ISRS) em doses altas (fluoxetina) foi fundamental para melhor adaptação do paciente a suas funções socioocupacionais, melhorando significativamente sua qualidade de vida.

De acordo com o DSM-IV TR, os indivíduos com transtorno de Asperger têm um comprometimento importante da interação social, padrões repetitivos do comportamento e interesses restristos, sem haver atraso clinicamente significativo do desenvolvimento cognitivo e da linguagem (American Psychiatric Association, 2000). Em conceitos práticos, essas características resumem esta condição a um quadro semelhante ao transtorno autista, porém com a inteligência preservada, levando alguns autores a incluírem a síndrome de Asperger no "autismo de alto desempenho" (Gillberg, 2002).

Vários transtornos podem ainda associar-se a síndrome de Asperger, chegando ao ponto de alguns autores afirmarem que uma comorbidade provavelmente estará presente uma vez que o diagnóstico de Asperger esteja feito (Gillberg e Billstedt, 2000). Estas podem ser TDAH, depressão, TOC, entre outras (Blacher et al., 2003). E considerando que os sintomas principais de alguns desses transtornos também fazem parte da síndrome de Asperger, acaba se tornando difícil diferenciar o que seria uma manifestação desta de uma comorbidade.

Ao se falar especificamente da relação entre TOC e síndrome de Asperger, fica evidente o problema em distinguir a primeira da última (respectivamente) como um diagnóstico em separado (Blacher et al., 2003; Gillberg, 2002). Aceita-se que quando as obsessões, as compulsões e os rituais tornam-se graves e incapacitantes, o diagnóstico de TOC como uma comorbidade deve ser feito (Gillberg, 2002).

Indepentemente de se querer determinar as barreiras entre TOC e Asperger, é de suma importância identificar sintomas obsessivos-compulsivos graves que sejam passíveis de tratamento específico, como demonstrado no caso clínico descrito. Considerando esse fato, os ISRS são a melhor abordagem, sendo muitas vezes necessárias doses altas (Blacher et al., 2003; Gillberg, 2002).

Vale salientar que não existe tratamento específico para a síndrome de Asperger, mas os pacientes podem se beneficiar de um manejo adequado das comorbidades e de um bom tratamento sintomático. Freqüentemente se faz necessário o uso de antipsicóticos (especialmente os "atípicos") para redução da agitação, do comportamento agressivo e dos maneirismos (Blacher et al., 2003; Gillberg, 2002).

Ainda é escasso o número de estudos que avaliam a incidência e a prevalência do transtorno de Asperger, bem como de suas comorbidades. Entretanto, considera-se que a chance da presença de uma comorbidade ser alta, e por vezes traz maior prejuízo e sofrimento do que a própria síndrome de Asperger. Há ainda o fato de que muitas vezes o diagnóstico é dificultado pela interposição de sintomas. Em relação ao TOC, muitas vezes a distinção é feita pela intensidade dos sintomas. Foi o ocorrido com o paciente do caso clínico apresentado, no qual o diagnóstico de TOC comórbido foi estabelecido, necessitando tratamento específico, que obteve execelente resultado. Concluímos que a fluoxetina pode ser útil na abordagem do Asperger, visto que mais importante do que se discutir os limites entre esta síndrome e o TOC, é fundamental administrar a terapêutica específica para os sintomas obsessivos-compulsivos, que, por vezes, são o principal problema do paciente.

Achei interessante este artigo, pois Matheus tem apresentado um tipo de Toc, não fiz exames para saber se é isso, por enquanto só especulo ser.Fiquei preocupada e acho que muitos pais ficam angustiados de verem seus filhos com algum tipo de "tic nervoso", algo que se repete várias vezes ao dia e que nos deixa realmente preocupados, nas minhas pesquisas não achei muita coisa, apenas esse artigo fala mais claramente.

Paz a todos


24 janeiro 2010

Autismo para abordar os limites da linguagem

Malu Galli estreia na direção com texto de Sinisterra que usa o autismo para abordar os limites da linguagem

RIO - A atriz Malu Galli nunca havia pensado em dirigir, até que, ao ler um texto inédito do autor espanhol José Sanchis Sinisterra, "A máquina de abraçar", cenas surgiram em sua mente, umas atrás das outras. Numa peça em que o autismo é o mote, Malu pensou imediatamente em desestabilizar alguns códigos teatrais em sua montagem, que o público poderá ver a partir desta quinta-feira (24.09) no galpão do Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico.

Para começar, a encenação ocorre em dois palcos: um para a autista, outro para sua terapeuta. As duas contam suas experiências num congresso médico. Mas elas se encontram, circulam pelo corredor entre duas fileiras de cadeiras, que, apesar de presas ao chão, são rotatórias, para que o espectador possa acompanhar as cenas em diferentes espaços. Antes da apresentação, o público entra numa espécie de saguão poético, uma pequena exposição pensada pelo artista plástico Raul Mourão (também responsável pelo cenário), com obras de Nino Cais, Eduardo Coimbra e Chelpa Ferro.

- Sinisterra usa o autismo, que tem uma diferença na forma de apreender o mundo, para falar da arbitrariedade da linguagem, de como ela é insuficiente. Ela nunca dá conta das coisas. Também quis dar ao espectador a experiência de outra organização, outras formas de linguagem, outro modo de assistir à peça - explica Malu, que há dois anos encenou "Diálogos com Molly Bloom", de Sinisterra, dirigida por cinco diretores, incluindo o espanhol.

Interpretada por Mariana Lima, a autista é livremente inspirada na americana Temple Grandin, PhD em biologia que aprendeu a se comunicar com o mundo criando códigos próprios de associação em imagens concretas, já que o autista tem dificuldade com a abstração. O nome da peça parte de uma máquina de fato criada por Temple para "abraçar" o gado antes do abate - uma invenção que usa para si mesma, já que o autista tem dificuldade com o toque.

Leia a íntegra da reportagem na edição digital do GLOBO

21 janeiro 2010

O Poder dos Jogos Infantis

Por: Evelyn Vinocur - Neuropsiquiatra e psicoterapeuta no Rio de Janeiro

Existe coisa melhor do que sentar com o seu filho pra brincar? Do que reunir a família e jogar? A hora do jogo é um momento sublime, onde as energias se somam, onde a vivacidade fica aguçada, onde a gente aprende a ganhar e perder, a ver a alegria da criança ao estar ali saboreando a presença dos seus queridos... pra quem já passou por essa fase, se lembra do bem-estar de brincar de fazer castelo de areia na praia? De jogar dominó com o papai?

Jogar faz bem. Alimenta a alma. Ainda mais nos dias de hoje, com tanta correria, muitas famílias estão perdendo o tempo pra jogar em família. Cada vez mais, vemos jogos solitários, que também são bons, mas não suprem a intimidade e a união que os jogos em família fazem aflorar.

Tem sido mais e mais freqüente as queixas de crianças reclamando que os pais têm cada vez mais tempo pra elas, e uma das melhores formas de estar junto, é jogar. Vamos aproveitar e pegar um pouquinho do nosso tempo pra jogar com aqueles que a gente ama. Mas jogar é bom de qualquer jeito com amigos, com a nossa turma e com nossos colegas. Jogar sozinho também é bom. O jogo faz nascer potencialidades de dentro da gente, faz surgir idéias novas, inovadoras, faz a gente querer ganhar, descobrir, intuir, ter metas e objetivos e onde querer chegar. E tudo isso é muito bom para desenvolver aquilo que chamamos de funções executivas, que são nossas vontades voluntárias voltadas à realização de um objetivo. Já jogou em dupla? Que legal né? A gente aprende instintivamente a fazer boas parcerias, a saber como é ter um bom parceiro.

Quem joga, ativa as funções mentais, a performance global de vida, capacidade de se ter um rendimento global maior na vida. É bem verdade que como tudo na vida, tudo tem que ter a sua hora, o seu limite. O jogo também nos ensina a hora de parar. A lidar melhor com os nossos limites. A ficar bem, mesmo quando vemos o nosso parceiro ganhar. Você sabe que daqui a pouco vem a sua vez de ganhar também. O jogo atua no auto-conhecimento. Jogando, você vai notar que você, ou seu filho ou o parceiro do jogo recorrentemente apresenta falta de concentração ou coordenação motora, ou como está o seu estado emocional. Quem nunca jogou com aquele cri-cri que fica enfurecido ou desmantela o jogo quando ele está perdendo? O jogo é uma ferramenta de medição e aferição do nosso estado emocional. É a partezinha que aflora, que todo mundo vê, que nem a pontinha de um grande iceberg...

Você sabia que já na antiguidade, os Egípcios, Romanos e Maias utilizavam os jogos como meio de aprendizagem de valores, conhecimentos e normas sociais?

Mas então, porque tanta gente reclama dos jogos, que o filho fica horas jogando pra fugir das obrigações e etc? Até onde o jogar é um benefício ou um prejuízo à saúde dos nossos pequenos? Essa polêmica divide francos opositores e ferrenhos adeptos. Como tudo na vida, antes de qualquer coisa o equilíbrio. Não é dos jogos que a gente reclama, mas sim dos excessos. Excesso de tudo é muito prejudicial mesmo. De todo modo, universais e presentes em todas as culturas, os jogos constituíram desde sempre uma forma de atividade inerente ao ser humano, exercendo sobre ele um fascínio inexplicavelmente compreensível e muito sedutor. Ainda que algumas pessoas considerem o ato de jogar supérfluo, ele torna-se uma necessidade e um elemento vital para o equilíbrio social, cultural e psíquico do ser humano.

Segundo uma ótica sociológica, os jogos proporcionam elementos importantes à construção da personalidade e conseqüentemente à construção do conhecimento: a familiarização com o êxito, o que desenvolve a autoconfiança e segurança; a libertação de sentimentos de agressividade e frustração, de forma natural, criativa e até terapêutica. Ao jogar, a criança e o adolescente têm acesso a cultura da sua Sociedade, ao mesmo tempo em que a recria, sempre estabelecendo relações sociais com os outros. E mais, o jogo pode trazer à tona questões inconscientes e medos recalcados, facilitando o autoconhecimento das próprias emoções e do mundo interior de cada pessoa.

Desta forma, é patente que o jogar, de forma espontânea, é um elemento crucial para um processo educativo que tem como foco a autonomia do ser. Em geral, um pouco de jogo vai deixar a criança, o adolescente ou o adulto mais sociável além de melhorar o seu relacionamento interpessoal. É de praxe que suas habilidades visuo-espaciais, resolução de problemas e tarefas, rapidez de pensamento e raciocínio lógico fiquem bem mais afiadas . De igual modo, todas as habilidades atentivas e de concentração também ficam mais aguçadas.

Os jogos despertam a curiosidade da criança, são sedutores e promovem criatividade e produção de arte. Inúmeros são os atributos do jogo, todos estando de algum modo interligados entre si: representação do real versus o imaginário; manejo de dúvidas e conflitos; resolução de problemas e saber priorizar; habilidades sociais e funções executivas; determinação, perseveração e controle dos impulsos, manejo dos determinismos e aleatoriedade; segurança, confiança e auto-estima; correr risco; analise estratégica e intuição, e muito, muito mais...

Então aproveite!

Estudo em bebês promete desvendar os mistérios do autismo


Matai, no colo de sua mãe, Gemma, assiste aos estímulos visuais

Um bebê de quatro meses participou de um estudo inédito que vai ajudar psicólogos e cientistas a entender como algumas doenças cerebrais se desenvolvem, como o autismo. O pequeno Matai Reid foi monitorado por cientistas da Durham University, na Inglaterra, que avaliaram como seu cérebro respondia a diferentes imagens em movimento quando ele olhava para a tela de uma televisão. Para isso, ele teve de usar um engenhoso capacete com sensores que mediam e gravavam sua atividade cerebral.

Segundo Dr. Vincent Reid, psicólogo da Durham University, ainda não se sabe o suficiente sobre como o cérebro de bebês muito pequenos reage a certas coisas. Em entrevista ao tablóide britânico Daily Mail, ele afirma: “É vital nós entendermos este funcionamento para conseguir identificar problemas e atrasos no desenvolvimento, e assim conseguir diagnosticar mais precocemente doenças como o autismo”. Gemma Reid, a mãe do bebê, concordou em emprestar seu filho para o bem da ciência: “O simples ato de observar como os bebês se desenvolvem já ajuda a aprender como funcionam algumas doenças cerebrais”. Ela conta que Matai gostou de participar do procedimento, que, segundo o dr. Reid, “não é doloroso, invasivo e nem prejudicial para a criança”. Ele afirma que ele e sua equipe simplesmente estão analisando o cérebro do bebê a partir de uma perspectiva acadêmica.

A National Autistic Society (Sociedade Nacional do Autismo, na Inglaterra) descreve o autismo como uma deficiência no desenvolvimento que dura a vida toda. Pessoas que sofrem da doença tem dificuldades para se interagir e se comunicar socialmente. O próximo passo dos psicólogos é procurar mais crianças, acima de dois anos, para participar do experimento.

A RIADIS se solidariza com o povo Haitiano

COMUNICADO SOLIDÁRIO:

A Rede Latino-Americana de Organizações Não Governamentais de Pessoas com Deficiência e suas Famílias (RIADIS) expressa sua mais profunda solidariedade perante a grave tragédia que padece agora, o povo irmão do Haiti.

Na terça-feira passada, 12 de janeiro, o Haiti e, particularmente sua capital, Porto Príncipe, se viu assolado por um terremoto de grau 7,2 na escala Richter.Milhares de pessoas ficaram sepultadas, mortas ou feridas debaixo dos escombros de milhares de edificações, que não puderam resistir ao ataque da natureza.

O Haiti, país mais pobre do hemisfério, a partir dessa gravíssima catástrofe, se vê ainda mais pobre. Uma das mais graves seqüelas deste sismo é que deixa a intempérie, a fome e a desolação a uma grande parte dos nove milhões, que constituem a população desse país caribenho.

É muito possível que milhares de pessoas com deficiência tenham sido e sejam vitimas impotentes desta dolorosa tragédia. Assim mesmo, é certo que uma das conseqüências diretas desta catástrofe será o aumento do número de pessoas com deficiência no Haiti.

No passado, a RIADIS buscou contato com organizações haitianas de pessoas com deficiência para apoiar-las em seus esforços em melhorar as condições de vida das pessoas com deficiência deste país, mas infelizmente, esses esforços não tiveram sucesso.

Nessa difícil e trágica hora para a América Latina e Caribe, quando o primeiro país de nossa região que lutou e ganhou sua independência sofre essa tragédia, a RIADIS faz um forte chamado à Comunidade Internacional para que as manifestações de apoio do presente se mantenham e se ampliem, ao teor da magnitude da catástrofe no Haiti. É necessário ainda, que este apoio solidário perdure por todo o tempo que o povo haitiano necessite e que não se debilite com o passar dos dias e semanas.

Os povos do mundo e seus Governos não devem, não podem esquecer-se do povo haitiano.

É o nosso mais sincero desejo, como organização latino-americana, que se avance rapidamente na estabilização da situação nesse país do Caribe. Resgatando os sobreviventes dos escombros, atendendo aos milhares de feridos nos hospitais, sepultando as pessoas falecidas, atendendo eficientemente à propagação de epidemias e oferecendo alimentos e abrigo aos milhares de desabrigados.

São os primeiros passos essenciais, antes de começar a trabalhar com muito esforço (Comunidade Internacional, povo e Governo), na reconstrução do Haiti, para que avance na superação da pobreza, consolide sua democracia e se desenvolva pacificamente.

A RIADIS se compromete hoje, em realizar seus maiores esforços para apoiar o fortalecimento ou criação de organizações de pessoas com deficiência no Haiti, para que desde nossa visão e experiência, a atenção aos direitos das haitianas e dos haitianos com deficiência, esteja devidamente incluída na agenda da reconstrução e renascimento deste país latino-americano irmão.

Esperamos que muitas organizações, entidades cooperantes e pessoas, nos acompanhem para materializar em fatos este propósito e compromisso profundo da RIADIS.

Rede Latino-Americana de Organizações Não Governamentais de Pessoas com Deficiência e suas Famílias (RIADIS) http://www.riadis.net/riadis-em-acao-5/

O terremoto da pobreza


A tragédia do Haiti não é só produto da natureza; é resultado da incúria humana e da corrupção

João Coutinho - Folha de S. Paulo - 19/1/2010 - Ilustrada

LISBOA TREMEU em 1755. O Grande Terremoto horrorizou a Europa culta e pôs Voltaire a pensar. Onde estaria Deus? Sim, onde estaria Deus naquele Dia de Todos os Santos para permitir a matança indiscriminada de mulheres, velhos, crianças?

No século 18, Lisboa deixou de ser, entre os homens letrados do Iluminismo, uma mera cidade. Passou a ser, como Auschwitz no século 20, o símbolo do mal. Do mal radical, inominável, inexplicável.

Passaram 250 anos. Lisboa deixou de tremer. Ou quase: umas semanas atrás, nas primeiras horas da madrugada, senti a casa a dançar um "twist". Durou segundos. Alguns livros no chão, um copo partido. Por momentos, ainda pensei que talvez fossem os meus vizinhos em reconciliação amorosa.

Não eram os vizinhos. Os alarmes dos carros estacionados na rua desmentiam com estridência qualquer cenário romântico. Era terremoto, confirmaram as notícias. Nível 6 na escala Richter. Nenhum morto. Nenhum ferido. Nenhuma interrogação sobre Deus.

Exatamente o contrário do sucedido no Haiti. Incontáveis mortos. Incontáveis feridos. E, nos jornais da Europa, textos pseudofilosóficos sobre o papel do divino. O tom era comum. A tese também: a natureza é insondável.

Difícil discordar. Mas a tragédia do Haiti não é apenas produto de uma natureza insondável. É o resultado da incúria humana; da corrupção; da miséria material; e da tirania.
Eis a tese apresentada em ensaio fundamental para entender a contabilidade macabra dos desastres naturais. Foi publicado em 2005 por Matthew Kahn em revista do prestigiado MIT. Intitula-se "The Death Roll from Natural Disasters: the Role of Income, Geography, and Institutions" (a lista da morte por desastres naturais: o papel da renda, da geografia e das instituições).

O objetivo de Kahn não é metafísico; é bem prático. E foi motivado por crença comum, que vi repetida nos últimos dias: por que motivo os desastres naturais só atingem nações pobres?

Kahn começa por provar que uma crença não passa disso mesmo. Entre 1980 e 2002 (o arco temporal do estudo), a Índia teve 14 grandes terremotos. Morreram 32.117 pessoas. No mesmo período, os Estados Unidos tiveram 18 grandes terremotos. Morreram 143 pessoas. Iguais conclusões são extensíveis aos 4.300 desastres naturais do período em análise e às suas 815.077 vítimas. Observando e comparando 73 países (pobres, médios e ricos), a conclusão de Kahn é arrepiante: os grandes desastres naturais distribuem-se equitativamente pelo globo.

O que não se distribui equitativamente pelo globo é o número de mortos: países com um PIB per capita de US$ 2.000 apresentam uma média de 944 mortos por ano. Países com um PIB per capita de US$ 14 mil, uma média de 180 mortes. Moral da história? Se uma nação de 100 milhões de pessoas consegue subir o seu PIB de US$ 2.000 para US$ 14 mil, isso resulta numa diminuição de 764 vítimas por ano.

Mas a análise não se fica pela riqueza. Não se fica apenas pelos países que têm maior capacidade para planificar com rigor, construir com segurança e socorrer com rapidez. A juntar à riqueza, a política tem uma palavra a dizer.
A política, vírgula: a democracia e a boa governação. A disparidade dos mortos não é só imensa entre países ricos e pobres; também o é entre países democráticos e não democráticos. Em países democráticos, onde os governantes são julgados pelos seus constituintes e vigiados por uma imprensa livre, a forma como se planifica, constrói ou socorre é o verdadeiro teste de sobrevivência para esses governantes. O número de mortos em países democráticos é, mostra Kahn, incomparavelmente inferior aos mortos anônimos dos regimes ditatoriais/autoritários.

No Haiti, um terremoto com 7,1 graus na escala Richter trouxe devastação inimaginável e dezenas de milhares de mortos. Em 1989, um terremoto com 7,1 graus na escala Richter provocou 67 vítimas nos EUA. Nenhum espanto: os EUA não têm um PIB per capita de US$ 1.400 e não foram governados por "Papa Docs", "Baby Docs" e outros torcionários para quem o destino do seu povo era indiferente desde que a rapina pudesse continuar.

Em 1755, quando o terremoto de Lisboa fez tremer a Europa, ficaram célebres as palavras do marquês de Pombal: é hora de enterrar os mortos e cuidar dos vivos. No século 18, era impossível dizer melhor. No século 21, impossível é dizer pior. Depois de enterrar os mortos e cuidar dos vivos, só existe uma forma de mitigar a violência da natureza: enriquecendo e democratizando.