29 janeiro 2010

Síndrome de Asperger e TOC – comorbidade ou unidade?

Comportamentos repetitivos, estereotipias e interesses restritos são alguns dos principais sintomas que compõem o transtorno de Asperger. Todavia, até que ponto é possível diferenciá-los de sintomas obsessivo-compulsivos que preencham critérios para transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)? Muitas vezes, não é possível. Este trabalho relata o caso de um paciente com síndrome de Asperger e TOC. Abordamos até que ponto é realmente importante a distinção de um TOC como comorbidade distinta do Asperger, bem como nossa conduta terapêutica, na qual um inibidor seletivo da recaptura de serotonina (ISRS) em doses altas (fluoxetina) foi fundamental para melhor adaptação do paciente a suas funções socioocupacionais, melhorando significativamente sua qualidade de vida.

De acordo com o DSM-IV TR, os indivíduos com transtorno de Asperger têm um comprometimento importante da interação social, padrões repetitivos do comportamento e interesses restristos, sem haver atraso clinicamente significativo do desenvolvimento cognitivo e da linguagem (American Psychiatric Association, 2000). Em conceitos práticos, essas características resumem esta condição a um quadro semelhante ao transtorno autista, porém com a inteligência preservada, levando alguns autores a incluírem a síndrome de Asperger no "autismo de alto desempenho" (Gillberg, 2002).

Vários transtornos podem ainda associar-se a síndrome de Asperger, chegando ao ponto de alguns autores afirmarem que uma comorbidade provavelmente estará presente uma vez que o diagnóstico de Asperger esteja feito (Gillberg e Billstedt, 2000). Estas podem ser TDAH, depressão, TOC, entre outras (Blacher et al., 2003). E considerando que os sintomas principais de alguns desses transtornos também fazem parte da síndrome de Asperger, acaba se tornando difícil diferenciar o que seria uma manifestação desta de uma comorbidade.

Ao se falar especificamente da relação entre TOC e síndrome de Asperger, fica evidente o problema em distinguir a primeira da última (respectivamente) como um diagnóstico em separado (Blacher et al., 2003; Gillberg, 2002). Aceita-se que quando as obsessões, as compulsões e os rituais tornam-se graves e incapacitantes, o diagnóstico de TOC como uma comorbidade deve ser feito (Gillberg, 2002).

Indepentemente de se querer determinar as barreiras entre TOC e Asperger, é de suma importância identificar sintomas obsessivos-compulsivos graves que sejam passíveis de tratamento específico, como demonstrado no caso clínico descrito. Considerando esse fato, os ISRS são a melhor abordagem, sendo muitas vezes necessárias doses altas (Blacher et al., 2003; Gillberg, 2002).

Vale salientar que não existe tratamento específico para a síndrome de Asperger, mas os pacientes podem se beneficiar de um manejo adequado das comorbidades e de um bom tratamento sintomático. Freqüentemente se faz necessário o uso de antipsicóticos (especialmente os "atípicos") para redução da agitação, do comportamento agressivo e dos maneirismos (Blacher et al., 2003; Gillberg, 2002).

Ainda é escasso o número de estudos que avaliam a incidência e a prevalência do transtorno de Asperger, bem como de suas comorbidades. Entretanto, considera-se que a chance da presença de uma comorbidade ser alta, e por vezes traz maior prejuízo e sofrimento do que a própria síndrome de Asperger. Há ainda o fato de que muitas vezes o diagnóstico é dificultado pela interposição de sintomas. Em relação ao TOC, muitas vezes a distinção é feita pela intensidade dos sintomas. Foi o ocorrido com o paciente do caso clínico apresentado, no qual o diagnóstico de TOC comórbido foi estabelecido, necessitando tratamento específico, que obteve execelente resultado. Concluímos que a fluoxetina pode ser útil na abordagem do Asperger, visto que mais importante do que se discutir os limites entre esta síndrome e o TOC, é fundamental administrar a terapêutica específica para os sintomas obsessivos-compulsivos, que, por vezes, são o principal problema do paciente.

Achei interessante este artigo, pois Matheus tem apresentado um tipo de Toc, não fiz exames para saber se é isso, por enquanto só especulo ser.Fiquei preocupada e acho que muitos pais ficam angustiados de verem seus filhos com algum tipo de "tic nervoso", algo que se repete várias vezes ao dia e que nos deixa realmente preocupados, nas minhas pesquisas não achei muita coisa, apenas esse artigo fala mais claramente.

Paz a todos


3 comentários:

Apoio Social Brasil disse...

Olá gostei muito do seu blog, e gostaria de coloca-lo em na minha lista de blogs, meu blog aborda tematicas sobre deficiências diversas.

Muito obrigada pela atenção

Rafaela

Priscila Felix - Fonoaudióloga disse...

Olá!

Achei interessante esta postagem pois estava estudando sobre isso no Livro "Autismo Infantil, novas tendências e perspectivas" que eu, iclusive, indico no blog.

Neste livro o autor do capítulo 2 aborda o tema "compulsão, obssessão e autismo". O autor diz que devemos ter cuidado para usar o termo obssessão quando o assunto é autismo e explica: "A obssessão está relacionada ao pensamento obssessivo, e para que possa existir, é preciso que a pessoa com tal comportamento saiba conceituar seus próprios estados mentais e os de outras pessoas. Outra característica essencial é a resistência para evitar tais pensamentos."
Por isso, ele conclui que é mais apropriado usar o termo obssessão na síndrome de asperguer. Em casos clássicos de autismo, é mais apropriado usar o termo compulsivo.
Por outro lado ele concorda que às vezes nós interpretamos alguns comportamentos do autista como obssessivos, mas pode ser somente a nossa interpretação e que é preciso averiguar com maiores detalhes.
Tentei resumir um pouco do que ele escreveu, mas o capítulo todo é muito bom. Ele fala muitas vezes sobre TOC e vincula aos transtornos invasivos.
Achei interessante para nos ajudar a observar cada vez mais o comportamento das crianças.

Parabéns pelo Blog! E obrigada pela sua visita ao meu Blog.
Espero que os nossos interesses em comum possa nos trazer muitas trocas e leituras!

Um abraço
Priscila Felix

*Lisa_B* disse...

Olá,
estive a ler seu blog e este post em especial.
Voltarei aqui para comentar mais alargadamente porque agora estou quase sem bytes na internet.
Meu filho é autista de alto funcionamento e com comportamento obsessivo compulsivo assim como fobia social entre outros problemas como excesso de ansiedade, depressão suicida etc...
Hoje tem 16 anos e felizmente para a sua saúde retirei-o da escola apesar de ser o melhor aluno da mesma mas...
No meu blog de vez em quando escrevo sobre ele e seu estado que actualmente e para esperança de muitos autistas, pais e familia, está em franca recuperação e uma melhoria que nunca pensei poder presenciar.

Boa sorte e não desespere que tendo fé e agindo com segurança conseguiremos vencer tudo isto.

Beijinhos